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| 6 primeiros meses. o rascunho da tela da nossa vida. Amo. |
sexta-feira, 18 de março de 2011
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Amor de Alma
foto: Verônica Coelho
foto: Marina Tigre
“Nem todo mundo tem a oportunidade de se despedir dessa forma.”
Escutei de uma grande amiga outro dia. É painho, a última vez que nos encontramos foi em grande estilo. A gente estava em festa. Você estava lindo, de meio fraque, barba aparada, cabelos cortados e muito, mas muito cheiroso. Tudo pra me agradar. Sem o colar africano, sem os vários anéis, sem a cartola que você tinha inventado, sem calça boca-de-sino. E tudo isso pra me agradar. Eu pedi e insisti pra que naquela noite você deixasse um pouquinho de lado o Germaninho artista, produtor de cinema, contestador, irreverente e batalhador para que fosse simplesmente meu pai. E você foi. A contragosto, inicialmente, mas foi. E aqueles momentos foram tão preciosos pra nós dois. O teu olhar emocionado quando me viu vestida de noiva, nosso nervosismo e ansiedade dentro do carro, antes de entrar na igreja. As lágrimas no altar, você e mainha, lado a lado, como os vi tão poucas vezes. O “Ói, Ói” de recomendação quando, na frente de tantos rostos queridos, soltei seu braço para seguir ao lado de Thiago. A nossa dança, a nossa despedida. Muita emoção. O dia mais feliz da minha vida.
foto: Luka Santos
Hoje, 37 dias depois, estamos aqui reunidos com o coração apertado. O meu coração sofre pelo que não vivemos, por um futuro que ainda estava por se desenhar, pelo que vinha pela frente. O almoço que combinamos pro domingo, pra você conhecer o nosso apartamento. Não deu tempo. O domingo 17 chegou mas na hora do nosso almoço te chamaram para um outro compromisso, inadiável.
Lembra do que você me perguntou no telefone quando voltei de lua-de-mel? “Cadê minha filha casada? Já tá buchudinha? Quero que o meu neto chegue logo pra eu estragar.” E eu respondi: “Não, pai! Pelo amor de Deus.. só daqui a uns três anos.” Esta foi a primeira vez que falávamos de um cronograma que não era de filmagem, pré-produção ou de distribuição. Painho, dói demais saber que você não vai poder carregar os meus filhos no colo. Assim como dói ver teus projetos inacabados, tantos ainda por acontecer, tantas idéias.. a tua mente não descansava jamais. Uma fábrica que criava muito mais do que, de fato, tinha tempo de realizar.
Germaninho chegou nesta vida pra marcar a vida da gente. Ele não fazia o tipo discreto. Gesticulava, falava alto, falava muito, falava bem. Pagava contas absurdas de telefone. Ele “tinha a voz como um pipoco.” E tinha muita coisa pra dizer. E pra ensinar. Pra mim ele foi um excelente professor. Eficiente, exigente.. e um pai diferente. Hoje eu tô com medo de não ter mais ele pra soprar no meu ouvido e me apontar os caminhos... ele conhecia os melhores atalhos. E sempre tinha uma resposta esclarecedora, didática e completa, de quem entendia de quase tudo.
Eu sei que mesmo falando tanto, em quase 27 anos eu só conheci um pedacinho de Germaninho. Ele é grande demais. Posso encontrar pequenas porções dele nos jardins das Sete Casuarinas, nas ladeiras de Olinda, nas águas de Carneiros, do Capibaribe, do São Francisco.. no céu estrelado, no cinema de Pernambuco, na música, nos livros, nos amigos tantos.. e no espelho. E eu me encho de orgulho.
Ele estava com os olhos fechados mas eu disse no ouvido dele, já nos créditos finais: “pai, o nosso amor é de alma”. E o fim está muito longe de chegar.
Texto lido na missa de 7º dia de painho,
terça-feira 25 de outubro no Mosteiro de São Bento - Olinda
terça-feira 25 de outubro no Mosteiro de São Bento - Olinda
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
O banheiro.
Parte 1: Shampoo, condicionador e sabonete.
Eu sou filha única de pais separados. Sempre vivi com minha mãe e, em alguns momentos, com a minha tia Toti também. Casa de mulheres, tudo organizadinho, bonitinho, arrumadinho (dentro do possível) e principalmente limpinho.
Ao começar a viver cotidianos parciais com seres do sexo oposto percebi o quanto a convivência diária deveria ser conflitante. E hoje eu tenho absoluta certeza de que é bem pior do que eu imaginei, sob alguns aspectos.
Vou falar logo sobre um ponto caótico: o banheiro.
Se você acha que deixar a pasta de dentes aberta, o sabonete com cabelos ou boiando até derreter na saboneteira são problemas graves, se prepare. Ainda há bastante para descobrir.
Hoje falo com propriedade de quem tem quase trinta dias completos de casada: é desesperador. Mal sabiam o meu shampoo Viscaya sem sal, o condicionador mega-power especial e o sabonete da natura do perigo em que estavam se metendo. Basta dizer que o sabonete novinho não conseguiu resistir até o final do quinto dia em Buenos Aires. O shampoo e condicionador lacrados até chegaram a conhecer nosso flat mas os frascos vazios deram adeus à prateleira de vidro recém-instalada por MIM ainda na primeira semana de moradia. É amigos, é por isso que estou revendo os meus conceitos. Jamais voltarei a crucificar as esposas que cultivam as madeixas dos maridões com a aspereza dos Sedas, Kolenes e Palmolives. Só elas sabem o que passaram.
Thiago acha que tomar banho é exatamente a mesma coisa que usar shampoo e condicionador. Bastante deles. Dois banhos no dia? Duas lavagens capilares reforçadas. Ele vai protestar dizendo que é mentira. Bah. Será então que ele bebe o shampoo no banho?
Bom, a solução para o problema foi comprar em 2x no cartão meu shampoo e condicionador éh! que agora ficam bem guardados na minha gaveta e aproveitar as promoções imperdíveis do bompreço onde levamos 3 ótimos sabonetes Francis por R$0,59 cada e o shampoo + condicionador Garnier Fructis sairam por menos de R$8. Oba, Thiago tem madeixas ultra-lavadas por mais dez dias.
Eu sou filha única de pais separados. Sempre vivi com minha mãe e, em alguns momentos, com a minha tia Toti também. Casa de mulheres, tudo organizadinho, bonitinho, arrumadinho (dentro do possível) e principalmente limpinho.
Ao começar a viver cotidianos parciais com seres do sexo oposto percebi o quanto a convivência diária deveria ser conflitante. E hoje eu tenho absoluta certeza de que é bem pior do que eu imaginei, sob alguns aspectos.
Vou falar logo sobre um ponto caótico: o banheiro.
Se você acha que deixar a pasta de dentes aberta, o sabonete com cabelos ou boiando até derreter na saboneteira são problemas graves, se prepare. Ainda há bastante para descobrir.
Hoje falo com propriedade de quem tem quase trinta dias completos de casada: é desesperador. Mal sabiam o meu shampoo Viscaya sem sal, o condicionador mega-power especial e o sabonete da natura do perigo em que estavam se metendo. Basta dizer que o sabonete novinho não conseguiu resistir até o final do quinto dia em Buenos Aires. O shampoo e condicionador lacrados até chegaram a conhecer nosso flat mas os frascos vazios deram adeus à prateleira de vidro recém-instalada por MIM ainda na primeira semana de moradia. É amigos, é por isso que estou revendo os meus conceitos. Jamais voltarei a crucificar as esposas que cultivam as madeixas dos maridões com a aspereza dos Sedas, Kolenes e Palmolives. Só elas sabem o que passaram.
Thiago acha que tomar banho é exatamente a mesma coisa que usar shampoo e condicionador. Bastante deles. Dois banhos no dia? Duas lavagens capilares reforçadas. Ele vai protestar dizendo que é mentira. Bah. Será então que ele bebe o shampoo no banho?
Bom, a solução para o problema foi comprar em 2x no cartão meu shampoo e condicionador éh! que agora ficam bem guardados na minha gaveta e aproveitar as promoções imperdíveis do bompreço onde levamos 3 ótimos sabonetes Francis por R$0,59 cada e o shampoo + condicionador Garnier Fructis sairam por menos de R$8. Oba, Thiago tem madeixas ultra-lavadas por mais dez dias.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
casados!
Eu sempre achei que o verbo "casar" vinha da idéia de se tornar um casal, estar casado(a).
Mas pensando bem, "casal" nós já somos desde que começamos a namorar. Ou antes ainda, vejamos.. quando dizemos "barzinho é programa de casal", esses casais não precisam ser exatamente namorados, né? Basta estarem se pegando. E o conceito ainda cresce. Quando dizemos "quero ter um casal", se referindo a ter filhos, "casal" já pegou ainda mais distância da ideia inicial, "casar-se". Desisti desta teoria etimológica.
Mas pensando bem, "casal" nós já somos desde que começamos a namorar. Ou antes ainda, vejamos.. quando dizemos "barzinho é programa de casal", esses casais não precisam ser exatamente namorados, né? Basta estarem se pegando. E o conceito ainda cresce. Quando dizemos "quero ter um casal", se referindo a ter filhos, "casal" já pegou ainda mais distância da ideia inicial, "casar-se". Desisti desta teoria etimológica.
Acho que talvez o verbo casar tenha a ver com casa, ter uma casa. Melhorou. No nosso caso, um apartamento. Então podemos dizer que ao invés de "casados" estamos "apertados"? Faz sentido.
Bastante, aliás. Deixa eu mostrar a pilha de contas e a fatura do cartão de crédito com os gastos da Argentina. Malditos. Buenos fucking Aires fucked us by Mastercard. E em sete dias nos promoveu de casados a apertados. Pelo menos o acocho é bom.
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